Adotar um Animal

Adotar um animal é salvar uma vida

De facto, ao adotar um animal, seja de um canil/gatil, da rua, ou de outra proveniência, você está literalmente a salvar a vida desse animal, pois as probabilidades de vir a ser eutanasiado (canil), atropelado (rua), ou ficar seriamente doente, entre outras hipóteses, são extremamente elevadas. Só a título de exemplo, o número de cães e gatos que entraram nos centros municipais de recolha de animais em Portugal atingiu um pico de cerca de 600 por semana em 2014. Dados da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária mostram que em 2014 chegaram aos canis e gatis das câmaras municipais quase 32 mil animais e o número tem vindo a subir todos anos, tendo aumentado 41% desde 2010. Praticamente 4 em cada 5 (78%) eram cães. Em comparação com 2008, a subida foi de 135%. Paralelamente, só até ao final de Junho de 2015, o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR registou 2239 queixas por maus tratos a animais (https://www.publico.pt/sociedade/noticia/numero-de-animais-abandonados-em-portugal-atingiu-pico-em-2014-1705294). Adicionalmente, a grande maioria dos animais que vão para os canis são abatidos, muitas vezes de forma clandestina, sobrevivendo apenas uma minoria a essa chacina. Por isso repito, ao adotar um animal de rua você está literalmente a salvar a vida desse animal e a proporcionar-lhe aquilo a que ele tem direito, uma vida de qualidade com carinho e dignidade. Além disso, ao adotar um animal de um abrigo ajuda a libertar espaço para outros animais, salvando assim outros da morte, pois quando os canis ficam lotados a prática corrente é começar a eutanasiar os mais velhos e debilitados. Viver encarcerado numa pequena box, sem dono e cercado por centenas de cães em sofrimento é uma experiência traumatizante. Adicionalmente muitos desses patudos vieram de ambientes em que eram felizes, o que torna a permanência em canil uma experiência ainda mais traumática. Como os animais não conseguem processar situações complexas deste tipo, vão simplesmente sentir que foram abandonados pelo seu melhor amigo. Por isso é tão importante apoiá-los na procura de um novo lar onde possam ter a vida condigna que merecem.

Adotar um animal poupa-lhe dinheiro

A questão financeira não é, habitualmente, o aspeto fulcral da adoção de um animal, mas não deixa de ser verdade que adotar um animal de um canil/gatil é incomensuravelmente mais barato do fazê-lo numa qualquer “petshop” ou junto de um criador. A adoção num canil acarreta um esforço financeiro mínimo, normalmente para ajudar a custear, por uma fração do valor real, a desparasitação interna e externa, o chip e a vacina da raiva (obrigatória por lei). Em alguns concelhos os canis chegam mesmo a oferecer gratuitamente a esterilização/castração dos animais (atualmente o canil do Porto, entre outros).

Adotar um cão ajuda-o a ser mais feliz, a manter-se em forma e a viver mais tempo

Existem estudos em revistas científicas conceituadas que confirmaram de forma inequívoca que os donos de cães são, habitualmente, indivíduos mais felizes, esperançosos e socialmente ativos. Com efeito, os investigadores conseguiram demonstrar que o contacto das pessoas com animais de estimação contribui para diminuir a produção de cortisol (uma hormona de estresse), enquanto aumenta a produção de oxitocina, endorfinas e dopamina, hormonas conotada com a felicidade e designadas habitualmente por “love hormones”. Psicólogos conseguiram demonstrar que quem tem cães se sente mais integrado socialmente e apresenta níveis superiores de autoestima como resultado dessa ligação. Um estudo realizado no Reino Unido concluiu que os donos de cães têm uma saúde global superior aos restantes membros da população (Domestic dogs and human health: an overview. Br J Health Psychol 2007). Os investigadores atribuem esse resultado ao facto dos donos sentirem menores níveis de estresse, solidão e ansiedade, bem como ao exercício regular que são obrigados a fazer quando levam os seus cães a passear. O estudo refere igualmente que esses efeitos positivos se aplicam apenas aos donos de cães e não de outros animais de estimação, tendo os autores descrito menores valores de pressão arterial e de colesterol, bem como um menor número de emergências médicas graves e de doenças menores (como constipações e gripes) e ainda uma capacidade superior para recuperar de doenças. O simples facto de acariciar um cão durante alguns momentos pode potenciar o seu sistema imunitário através do aumento de IgA, um dos seus anticorpos naturais responsável pela primeira linha de defesa do organismo contra germes patogénicos. Em suma, brincar e passear com o seu cão torná-lo-ão num ser humano mais saudável e feliz, com níveis superiores de autoestima, isto enquanto simultaneamente melhora a qualidade de vida dos seus animais de estimação.

Adotar um animal é encontrar um companheiro único que o amará incondicionalmente

Quem conhece a realidade dos canis/gatis, sabe bem a enorme miscelânea de animais que por lá se encontram, desde os simples “rafeiros” (resultantes de cruzamentos aleatórios) a animais de raça, uns perdidos outros abandonados, todos com uma personalidade muito própria, mas exibindo um traço comum: uma enorme angústia e ansiedade por estarem presos num local de dor e morte e uma tremenda carência afetiva e necessidade de amor. Por estes motivos, normalmente um animal de canil/gatil é um animal grato que não se esquece nunca da pessoa que o adota, que nunca o abandonará não importa quais sejam as vicissitudes que a vida lhe ponha à frente e que estará sempre ao seu lado nos momentos bons e maus da sua vida. Existem milhões de histórias não contadas por esse mundo fora que falam sobre o amor e a fidelidade eterna dos animais pelos seus donos. Existe o mito urbano que os animais dos canis/gatis são habitualmente animais cheios de doenças, feios e agressivos, mas não existe nada mais longe da realidade do que esta ideia pré concebida que as pessoas têm destes locais. Naturalmente que há animais em pior estado que, por esse motivo, necessitam cuidados e adotantes especiais, mas a grande maioria desses patudos está de boa saúde e a maioria são animais muito bonitos e com uma personalidade irresistível. Muitos foram abandonados ou entregues ao canil simplesmente porque o dono mudou de casa e não quis ou pode levá-lo com ele, sendo também frequentes os abandonos por motivo de divórcio, ou por problemas de alergias a animais, ou mesmo por razões de ordem financeira, entre outras. Adicionalmente a biodiversidade a nível genético é tão grande que garanto que encontrará facilmente um animal por quem se apaixonará e que será a sua melhor companhia em muito pouco tempo. Se não acredita em mim, dê um salto a um canil e veja a realidade com os seus próprios olhos, embora deva ir preparado para se confrontar com uma dura realidade, que é a vida num local de muito sofrimento, mas isso só o deverá motivar a dar o seu contributo para ajudar a minorar tanta dor.

Ao adotar um animal está a ajudar o canil/gatil

Adotar implica ajudar a libertar espaço num canil/gatil, arranjando assim mais área para acolher animais, retirando-os das ruas e dos riscos associados a essa permanência (atropelamentos, doenças, maus tratos, etc.). Adicionalmente canis/gatis menos lotados e com uma maior renovação dos patudos devido a taxas de adoção mais elevadas, tornam a estada deles menos desagradável, mais curta e com menos riscos de contraírem doenças. A pequena verba que vier a despender para adotar um animal também servirá para ajudar na manutenção do espaço, no tratamento dos animais e para ações de promoção/sensibilização dos cuidados animais junto da população.

Ao adotar um animal está a ajudar a comunidade envolvente

A sobrepopulação dos animais de rua é um sério problema, particularmente nas grandes cidades e vilas, por isso a esterilização/castração dos animais de rua é um aspeto prioritário tanto a nível de saúde pública, como ainda da sobrevivência e qualidade de vida dos próprios animais. A título de exemplo, se deixarmos um casal de gatos reproduzir-se livremente e, posteriormente, fizermos o mesmo à sua descendência, então esse único casal terá originado uma população de 80 milhões de gatos no espaço de apenas uma década! Isto partindo do princípio que cada casal de descendentes tenha, em média, 2 ninhadas por ano e que haja uma sobrevivência de 2,8 gatos por ninhada. Este exemplo serve apenas para ilustrar com que rapidez certas espécies se podem multiplicar. Convém relembrar que uma população de animais felizes é uma população controlada, caso contrário temos o caos instalado. Animais de rua em excesso podem causar acidentes, espalhar doenças, atacar animais de quinta, de estimação ou mesmo pessoas, isto em situações extremas, pois animais esfomeados necessitam, naturalmente, de sobreviver. Deste modo, ao adotar um animal está a contribuir para retirar um animal das ruas e ao esterilizá-lo está a colaborar no controlo dessa população, ajudando a sua comunidade.

Ao adotar um animal está a lutar contra as fábricas de animais (puppy mills)

As vulgarmente designadas por “puppy mills”, são empresas que colocam os lucros à frente do bem-estar dos cães e dos seus filhotes. Basicamente são “fábricas” de criação de cães, onde estes são forçados a viver as suas vidas inteiras em pequenas boxes sujas, onde nunca verão a luz do dia ou sentirão a relva. Nestas “fábricas”, cães adultos são criados constantemente com pouco ou nenhum descanso entre ninhadas e quando não podem mais procriar, são frequentemente mortos ou abandonados. Vivem frequentemente em gaiolas superlotadas, cheias de dejetos e infestados com parasitas e quase sem contato humano. São cães que nunca fazem exercício, raramente recebem cuidados médicos e nunca recebem afeto de qualquer tipo. Estes são alguns dos motivos que levam as associações e entidades que protegem e recolhem animais de rua para posterior adoção, a utilizar o lema: não compre um animal, adote. Naturalmente que nem todos os animais que se vendem em lojas são criados nestas “puppy mills”, existindo felizmente alguns criadores sérios que fazem um bom trabalho a esse nível, no entanto as “petshops” procuram, essencialmente, o lucro com a venda de animais e essas “fábricas” têm habitualmente os preços mais baixos.

Adotar um animal de estimação contribui para transmitir valores importantes aos seus filhos

As crianças, pelo facto de estarem em aprendizagem constante, são dos seres que mais podem beneficiar com a presença de um animal de estimação. Com efeito, ter um cão ou gato (entre outros pets) em casa, pode representar para uma criança uma fonte permanente de aprendizagem ao nível da responsabilidade, isto por muito traquinas que seja. Obviamente que a grande maioria das tarefas relacionadas com cuidados animais serão efetuadas pelo adulto, mas a criança observa tudo o que você faz e isso inculca-lhe valores fundamentais como, por exemplo, aprender a ser amável e gentil com outros seres sencientes, enquanto simultaneamente desenvolve a sua noção de responsabilidade para com o seu felpudo companheiro de brincadeira, por exemplo, ajudando nas tarefas mais simples como pôr-lhe comida e água, aprender a passeá-lo, ou pô-lo a fazer exercício, entre outras. Esta interação com o animal vai proporcionar à criança ainda lições importantes sobre empatia e compaixão, isto enquanto paralelamente potencia a sua autoestima. Como vê, ter um animal de estimação (quase) só tem vantagens!

Adotar um cão ajuda-o a tornar-se mais sociável

Para além das inúmeras vantagens acima descritas, ter um cão diminui substancialmente o estresse e a ansiedade de falar com desconhecidos que também possuem canídeos, pois os seus donos acabam por se cruzar nas mais variadas situações (rua, clínicas veterinárias, parques, etc.) e, inevitavelmente, acabam por trocar impressões sobre os seus patudos. Toda esta interação faz parte do sentimento de pertencer ao clube “secreto” dos “animal lovers”, onde o cão se torna imediatamente na figura central da conversa. Deste modo, o seu cão não só lhe abre novos horizontes a nível da afetividade, como ainda contribui para o tornar num ser mais sociável.

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